>>>>>>>>>>>>>>>>>>ANALUAR SINOPSE - para ler o roteiro completo peça-o via e-mail
para:
analuar@bol.com.br
Juntam-se ao povo de
Macau famílias inteiras, que perderam tudo o que tinham durante a guerra.
Homens e mulheres que trouxeram o que restava dos seus haveres, famílias ainda
abastadas, pedintes e vagabundos. No pórtico da igreja, sob as arcadas das ruas
e em frente aos restaurantes, vivem e morrem, sem se queixarem da sorte, sem
tomarem qualquer atitude violenta.
O Governo de Macau
transforma escolas, clubes e teatros em abrigos. Cria dormitórios, refeitórios,
posto médico, hortas e criações de galinhas e porcos. Até o Canídromo,
ponto de referência da cidade, é transformado em albergue para os refugiados.
Professores, padres, freiras, médicos e enfermeiras de diversas nacionalidades
e também a Polícia de Macau, ocupam-se das tarefas sociais. Entretanto, muita
riqueza há ainda em Macau, concentrada em poucas mãos, a ver-se pelas montras
de frente para a rua e pelos hotéis e restaurantes. O comércio do arroz mantém
muitas fortunas.
A concorrência entre
famílias ricas e a miséria da população em volta é o ambiente propício
para o aparecimento de bandidos, assassinos e chantagistas perigosos, que aos
poucos vão envolvendo pessoas pacíficas e honestas. E o maior “gangster”
que vive em Macau nesse período é Wong Kong
Kit, que juntamente com a sua mulher estabelecem uma lei paralela na cidade.
Através de subornos contínuos, Kit assume o posto de coordenador da Comissão
de Fiscalização do Arroz e passa a desafiar a Polícia Portuguesa, na pessoa
do Comandante da Polícia, Capitão Roberto Ribeiro e Cunha.
A luta entre Kong Kit e a
Polícia Portuguesa geram episódios que vêm a perturbar a pacata cidade de
Macau. Assassinatos, vinganças, ataques e perseguições, quer entre a polícia
e o bando de Kit, como entre o Comandante Roberto e Kit, frente a frente. Kit
porta-se à maneira de Al Capone em Chicago, circulando pelas ruas de Macau com
seus automóveis em alta velocidade. Roberto acumula contra o “gangster” ódios
que ultrapassam sua responsabilidade de polícia e atingem o nível pessoal. E
toma para si a responsabilidade de apanhá-lo.
A situação agrava-se com o
início da Segunda Guerra Mundial e com a chegada
dos Japoneses às portas de Macau, que passa a ser o último entreposto
ocidental da China. E não tarda a que os Japoneses comecem a interferir na vida
administrativa da cidade através de mercenários e chantagistas, com o fim de
extorquirem dinheiro a pessoas que deixaram familiares em territórios chineses
ocupados, e, de controlarem o comércio
do arroz. Para proteger os seus interesses em Macau, o coronel japonês Sawa e
seu ajudante Yamaguchi, instalados na porta do Cerco de Macau, aliam-se a Kong
Kit, que passa a ser o Grande Chefe do Crime em Macau. Kong Kit e sua mulher
agora controlam não só a vida dos chineses, mas também das pessoas que vêm
de nações com as quais o Japão está em guerra. O Governo Português e o
Governador de Macau preocupam-se com a insegurança e temem que os japoneses
aproveitem-se da situação para também invadir Macau. Portugal quer se manter
neutro no conflito mundial e está atento ao comportamento do Comandante Roberto
em relação a Kong Kit e o seu protector Sawa.
O Comandante Roberto
Cunha, por sua vez indiferente ao conflito mundial, intensifica a caça a Kong
Kit depois de este ter assassinado o comerciante português do arroz Fernando
Rodrigues, em frente das suas filhas Noemi e Aline – com quem tinha a intenção
de casar. A perseguição e as tentativas de apanhar Kong Kit, que se
desenvolvem paralelamente aos crimes que acumula, ocorrem mais ou menos durante
o tempo que durou a Segunda Guerra Mundial. Nesse ínterim, são assassinados
também, em situação de diversificada importância, um dos irmãos Wong (comerciantes de arroz), Pao Ka Kei (guerrilheiro comunista que
visitava Macau de vez em quando) e entre outros, Fukuy (cônsul do Japão em Macau, diplomata e
homem de bem), alguns dos quais mortos pela mulher de Kit, que manejava com perícia
uma metralhadora, embora antes de se iniciar no crime fosse uma respeitada
costureira.
Com a notícia do fim
da Segunda Guerra, o Comandante Roberto Cunha fica mais a vontade para preparar
a armadilha final e tentar apanhar o seu inimigo número um. E para isso obtém
o apoio de Hall Caine, major inglês do Intelligence Service em Hong Kong, que
queria interrogar Kong Kit, considerado agora criminoso de guerra, abandonado
que foi pelo Coronel Sawa após a derrota dos Japoneses na Segunda Guerra.
Roberto alia-se ainda ao secretário de Kong Kit, uma espécie de agente duplo
que há muito trabalhava para a Polícia Portuguesa e a Chang-Sang, general da
guerrilha comunista chinesa, que também queria apanhar o “gangster” e
apropriar-se dos seus bens. O
Comandante da Polícia Portuguesa em Macau, Capitão Roberto Ribeiro e Cunha
prepara um plano, juntamente com o Comissário Bento de Moraes e o Tenente
Augusto Ferreira.
O plano para apanhar
Kong Kit, que envolve o Intelligence Service, a Guerrilha Comunista e a Polícia
Portuguesa, é perfeito. Após várias tentativas de evasão para as ilhas a
Oeste de Macau, e várias batalhas, em meio a um baile, o “gangster ” é
preso. Mas o Comandante Roberto acha por bem não entregá-lo aos tribunais da
Segunda Guerra e fica com o prisioneiro para si, contrariando ao Intelligence
Service e ao Governo de Portugal, surpreendendo a todos com a sua inusitada
frieza. Em meio a um ambiente tenebroso, envolto em violência, poesia e mistério,
Kong Kit é morto, para a alegria do povo de Macau. Do mais famoso gangster daquela época,
ficou um rascunho escrito na cadeia, contendo a história de sua vida e a
partitura de uma música muito triste.
***************************Abílio Mourão e Ana Lúcia Araújo
ENTREporESTAfresta...... Brasil Online - http://www.bol.com.br GENÉRICO INICIAL Estrada da Circunvalação. Hora do rush. Fila de carros no sentido
Matosinhos-Porto. Um homem bem vestido, aparentando ser um executivo fala pelo
telemóvel: EXECUTIVO -
Era bom! Ainda nem cheguei ao cruzamento do Amial. VOZ FEMININA -
Mas há meia hora já ias na rotunda? Paraste? EXECUTIVO -
Na puta da fila, mas podes ir indo que do Amial em diante é um tiro até
a marisqueira. VOZ FEMININA -
Tchau então, beijinhos!
(corte) Close do Semáforo. Sinal verde. Buzinas. O carro do executivo está há cem metros do cruzamento, tentando avançar
na fila lenta. -
Porra, se isto fecha ainda apanho os gajos a pedirem. Close do Semáforo. Sinal Vermelho. Freios. O Executivo pára o carro. Zé, um homem de aparência miserável,
carregando uma criança escanchada ao quadril, enfia o braço para dentro do
carro. -
Tem um trocado, Dr.? É p’ra comprar o almoço à miúda. EXECUTIVO -
Almoço o que? Queres mas é p’ra dose de hoje, meu. ZÉ - Não, Sr. Dr., os miúdos tem fome, tenho ali a minha mulher com o bebé. -
Nem um conto fiz até agora, carago. ZÉ -
Paciência, mulher, tivesse apanhado a besta do Dr.... Disse que eu
queria dinheiro p’ra dose, o filho duma vaca. E ainda fingiu mexer na gaveta lá
do carro. -
Já temos p’ra sopa, que se lixe. -
Uma ajudinha p’ra sopa dos miúdos, minha senhora... SENHORA BEM VESTIDA - Nem se diz mais “se faz o favor”. Ora, tome isto... ( A senhora dá umas moedas à
pedinte)... antes que... Agarra-se com o bebé tentando protegê-lo e cai com ele sobre o peito. Zé deita a filha mais velha na relva do canteiro, vem ter com a mulher
e ajuda-a a levantar. O bebé dorme, imperturbável. Zé mostra à mulher uma nota de mil e vai apanhar a filha deitada ao chão.
Os dois sorriem, enquanto se dirigem para uma tasca próxima do
cruzamento. Na tasca, sentados à mesa, Seição tenta acordar o bebé enquanto abre
o saco, tira um bibeirão e despeja nele um copo de leite. Enrosca a tampa com o
bico e tenta pôr na boca do bebé. Ele não acorda, não há maneira. Zé dá a sopa à menina sonolenta, alternando consigo próprio as
colheradas. Olhando para a mulher, que desiste de acordar o bebé e ousa o bibeirão
sobre a mesa, pergunta: -
Será que exageraste aí com o puto? SEIÇÃO ( olhando na direcção de uma mesa, onde estão quatro
“trolhas” a almoçarem) -
Fala baixo, carago. Quer que os tipos ouçam? - Tu andas sempre com
medo das catatuas das assistentes sociais. Vês uma em cada canto onde vamos. SEIÇÃO ( voz em off) -
Antão! E se as tipas descobrem, o subsídio vai p’ra o caralho e ainda
perdemos os miúdos. ZÉ (voz em off) - Ora, come mas
é, que temos de voltar p’ro cruzamento logo. Na mesa dos “trolhas”, o assunto é o referendo das regiões: -
Vais votar Sim ou Não? HOMEM 2 -
Vou lá me dar ao trabalho de sair de casa, pegar mais uma bicha e ir
votar! Era o que faltava! HOMEM 1 -
E tu? HOMEM 3 -
Eu voto sim. Se é para dividir melhor os tachos, quem sabe não dá um
bom resultado? -
Sempre podes ir ter com aquele teu primo minhoto e pedir um lugar na Câmara,
ah! ah! ah! HOMEM 4 -
Eu voto Não. Se são eles lá de cima que propõem, eu digo sempre não.
Tem que ser, eu estou do lado de cá e nem sabem que eu existo. Na sua mesa, Zé e Seição, ouvem a conversa e o homem comenta: -
Cambada de ignorantes. Bem merecem morrer a carregar tijolos! SEIÇÃO -
Porquê? ZÉ -
Nem um nem outro sabe bem porquê vota... ou porquê não vota. Aliás,
nem sabe bem porquê que acordam de manhã. SEIÇÃO -
Como nós!? ZÉ -
Como nós, não. Nós não temos tido muita sorte na vida, mas eu tenho
esperança de melhorar. Não sei se tu tens, mas eu tenho. Mas há pessoas que
tem mesmo que morrer na merda. Burro é assim mesmo. Bairro de Lata Zé e Seição chegam em sua casa no bairro, cansados. O bebé está acordado e feliz, sorri e brinca com a irmã. A mãe se prepara para cozinhar o jantar. O pai lava a cara e atira-se sobre um velho sofá. Café próximo do cruzamento. O Café acabou de abrir, a empregada ainda arruma as chávenas, quando o
casal de pedintes Zé e Seição chegam com seus filhos ao colo ( ele com a
filha de 3 anos e ela com o bebé) e dirigem-se ao balcão. Lá fora está frio, pela maneira como esfregam as mãos e mexem com as
pernas. A empregada, como de costume, tira-lhes dois cafés e dá um croissant
à menina. Depois pega num bule de leite e dá à Seição, que o despeja no
bibeirão. Zé dá à empregada uma moeda de cem escudos. Um cliente que espera por
ser atendido, parece impaciente. Uma senhora, que também é uma das primeiras
clientes da manhã, entra, trazendo pela coleira o seu cãozinho agasalhado,
depara com o casal e resmunga: -
Isto devia ser proibido. A gente sai de casa de manhã cedo e já depara
com estes pedintes. A empregada é quem responde à senhora. -
Se estivesse no lugar deles, não falava assim, D. Maria. SENHORA CLIENTE -
Isto é tudo uma cambada de drogados. Aqui perto de casa tem uma porção
deles. EMPREGADA DO CAFÉ ( de propósito para arreliar a senhora, vira-se e
sorri para o cliente que toma o seu café): -
Os drogados também precisam de comer, não precisam? SENHORA CLIENTE -
Tendo em conta o que custam ao governo, tinham mas era que morrer todos.
Pena que só alguns erram a dose. EMPREGADA DO CAFÉ -
Se calhar também os miúdos tinham que morrer. Os seus já estão
criados, não? SENHORA CLIENTE -
Ora, você também tem filhos pequenos e não anda aí a pedir. Trabalha
desde a madrugada a aturá-los. EMPREGADA DO CAFÉ -
A aturá-los e a aturar a todos. Qualquer dia, se me mandam embora, posso
ir parar lá também no cruzamento a pedir uns trocados, se não me dão
emprego. E aí a senhora diz mesmo de mim. cena 8 No cruzamento, o trânsito se movimenta no sentido da ida para o
trabalho. Tanto no sentido Matosinhos - Porto, como ao contrário. Zé e Seição
se dividem e vão, cada um para uma pista. E começam o seu peditório diário,
mal o sinal fica vermelho. (fade out / fade in) Um carro para e uma mulher ao volante dá uma nota de mil escudos a Seição. Depois de apanhar a nota, Seição percebe de quem se trata. É a
assistente social da Paróquia. -
Seição, Seição. Você acha correcto estar aqui a esta hora com as
crianças, ao frio? E se ficam doentes, assim, sem se alimentarem direito? SEIÇÃO -
Oh! S’otora, se não vimos agora, não conseguimos nada mais tarde. Se
não pedimos cedo, ninguém acredita que é p’ra comprar comida o dinheiro. ASSISTENTE -
Mas então, porquê não começam a ... trabalhar um pouquinho mais tarde
e deixam os miúdos no infantário antes? As oito já tem gente lá? Olhe, diga
ao Zé que vá ter comigo, que tenho um trabalho para ele. -
O que se passa, estás aí parada porquê? SEIÇÃO -
A S’otora qui diz que tem um trabalho pra ti, p’ra ires lá. ZÉ -
P’ra que? P’ra passada uma semana, me despedirem e eu encontrar isto
aqui ocupado por outros. Veja lá, S’otora. Foi assim da outra vez. ASSISTENTE -
Mas os miúdos tem que ir p’ra o infantário, não podem ficar aqui.
Definitivamente vos aviso. Isto não faz sentido. ZÉ -
Mas se não tivermos conosco os miúdos, vão pensar que somos drogados,
como muita gente ainda diz que somos. Nós temos que dar de comer aos miúdos,
mesmo a hora que chegarem do infantário. ASSISTENTE -
Quero que passem os dois comigo lá para falarmos, o mais rápido possível. -
Esta pensa que é da Polícia, a baca. No autocarro cheio, a caminho de casa, a filha começa a acordar e o bebé
chora, incomodando toda a gente. Uma senhora dos seus 50 anos, começa a comentar com a outra mais ou
menos da mesma idade – ambas com aspecto de empregada doméstica bem paga,
sentadas no banco ao lado do casal de pedintes - sobre o berreiro do bebé e o
mal estar que causa à volta. Zé presta atenção na conversa, enquanto Seição tenta calar o bebé
com um bibeirão. -
Mania tem esta ciganada de andar com estes miúdos pendurados, todos
sujos, a cheirarem a merda. SENHORA 2 -
Coitados, tem mais é que berrarem. Não sei como esta gente ainda tem ânimo
para fazer filhos de noite, se nem vontade de cuidar têm. SENHORA 1 -
Só p’ra andarem a incomodar os outros... -
Minha senhora, a senhora sabe o que é um “portuguesinho”? SENHORA 1 -
Como?! ZÉ (insistindo) -
As senhoras sabem o que é um “portuguesinho”? -
Um “portuguesinho” é um Zé povinho de merda, que vem do emprego num
autocarro cheio destes e ainda acha que está melhor na vida do que os outros. SENHORA - Que grande lata
falar deste jeito conosco. SENHORA 2 -
Nós pelo menos trabalhamos, não andamos a pedir. SEIÇÃO ( intervindo) -
Isso mesmo, só porque anda a comer os restos da mesa das Kikis lá da
Foz. E ainda põe o puto a estacionar carros p’ra ganhar algum. ZÉ ( dirigindo-se às outras pessoas sentadas próximas dele) -
Ela vive num bairro que só não é de lata, mas cai aos pedaços. E
ainda paga para lá morar. Metida a boa a tipa. Oh, minha senhora, quer que lhe
ensine como é que se fazem filhos lá no bairro de lata? -
Vai, conta lá como é que é. Em casa, no bairro de lata, Zé e Seição fazem amor vigorosamente,
sobre um colchão velho, suspenso por tábuas. A filha mais velha dorme
sossegada no sofá sujo encostado à parede, com a mesma roupa com que passara o
dia. O bebé dorme sossegado. O acordar às cinco da manhã no barraco da família de pedintes. Seição
passa água fria no rosto da filha, ainda sonolenta. Zé serve um copo de leite frio e pinga lá dentro várias gotas de um
conhecido sonífero. A filha apanha o copo e bebe, num gesto costumeiro. Seição abre o bibeirão e pinga cinco gotas do mesmo medicamento.
Fecha-a e guarda na saca. Pega no bebé e veste um agasalho. Zé sugere: -
Não dás leite ao miúdo, Seição? SEIÇÃO -
Oh! Zé, leite frio p’a o bebé? Depois, ele dorme antes de chegarmos
ao café e as tantas acorda. É melhor dar lá mesmo. Ele mamou, de manhã ainda
sai leite (diz Seição apalpando o peito ) ZÉ -
Então vamos logo antes que a miúda apague. Precisa comer o pão antes
de... Vamos, Seição? SEIÇÃO (sorrindo maliciosamente) -
Espera, Zé. Pega aqui no miúdo p’ra eu arranjar os cabelos. Não sou
tu que sai de qualquer jeito. Até pareces um mendigo, mesmo. Não foste tu que
falaste em esperança, em sair lá da merda do cruzamento um dia, carago? ZÉ -
Eeeeh! Mulher a gente fala uma coisa e elas logo... eeeh! -
Uma ajuda p’ra sopa da miúda... -
Uma ajuda para comprar qualquer coisa
p’ra comer... -
Uma coisinha pra ajudar o bebé. -
Uma ajuda p’ra os miúdos... (fade out /fade in) No cruzamento. O casal continua o seu peditório. Um carro com letreiro
do Serviço Social pára junto deles. Ao lado da condutora, a assistente social,
está um oficial de Justiça. -
Dona Conceição, isto é para a senhora. SEIÇÃO -
O que é isto? ASSISTENTE SOCIAL -
Foi feita uma denúncia por causa da maneira como trazem as crianças e o
tribunal vai apurar se é verdade. SEIÇÃO -
Como? No Cruzamento. Zé e Seição sozinhos, sem as crianças, a pedirem
dinheiro aos condutores, como de costume. O Executivo da Cena 1 pára o carro. -
Estes gajos de novo! Seição avista o carro da Assistente Social e fica desfigurada. Dá uma
cotovelada em Zé e este corre para frente do carro da Assistente. Seição chega à janela pelo lado do condutor e dá um safanão bem
dado na Assistente. Esta solta um grito abafado, mas ninguém percebe. Zé
aponta-lhe o dedo ao rosto, quase encostando-o ao nariz da mulher. -
A Senhora nos tirou os miúdos, mas nós vamos fazer outros, sua puta. Pode contar que vamos. Um carro velho, aberto nas traseiras, parado a entrada do bairro de
latas. Zé e Seição vendem frutas de um caixote, peixes e produtos de limpeza.
Numa cesta colocada no banco da frente, dois bebés gémeos
rechonchudos. -
Que hora é que vamos buscar os miúdos? ZÉ (emocionado) -
As quatro. Desta vez não vão mais embora, eu garanto. SEIÇÃO (insegura) -
Jura, Zé! ZÉ -
Juro, mulher. Nós agora não pedimos mais nada às pessoas, damos – Zé
gesticulando – marretadas nelas. Agora temos direito a ter os nossos filhos em
casa. SEIÇÃO (sorrindo) - É, Deus escreve
certo por linhas tortas, mas nós também, porra.
........eDEIXEsuasPEGADAS
E-mail grátis - http://www.bol.com.br/webmail
Miner - http://miner.bol.com.br
O Melhor da Internet - http://www.bol.com.br/melhordainternet
Guia de Compras - http://www.bol.com.br/guiadecompras
Notícias - http://www.bol.com.br/noticias
Ajuda - http://www.bol.com.br/ajuda3
CRUZAMENTOA seguir, você poderá ler, na íntegra, o roteiro de um curta metragem
classificado em 20o. lugar no concurso 1998, de roteiros p/ curtas, do Ministério
da Cultura português - mais de 300 participantes. E notará, certamente a
diferença de "sotaque" na escrita em português luso, tanto dos diálogos
quanto das indicações técnicas. A roteirista escreve também em português do
Brasil e, futuramente, divulgarei outros trabalhos, já ambientados no Brasil.